segunda-feira, 13 de maio de 2013
Lembrei-me agora da primeira refeição que preparei na vida, minha mãe precisava naquele dia complicado e grave de que alguém cozinhasse para a família. O resulltado foi igual a crus, secos, salgados e reclamações. Mas não desisti, não me queimei e lavei a louça. Então em alguma prova eu passei. Daí em diante aprendi a cozinhar melhor e juntei receitas. Mudei receitas, estraguei receitas. Cozinhar é uma das coisas que mais gosto de fazer, sinto em cada sova, meXida ou pitada, a presença da minha mãe muito viva. As comidas da minha casa eram carregadas de emoção. Havia uma muito boa de quando meu irmão já na esquina lá de casa gritava, mamãe bota meumoço, ela dava uma gargalhada deliciosa, outra mais recente é ela sendo alcunhada de faca cega, injustiça. Ela passou a adotar uma vida mais regrada, parcimoniosa, menos sal, menos gordura, muito vegetal. Certos paladares infantis reclamavam. E uma emoção mineira que ela sempre cultivou, angu. Hoje eu comi angu com aquele amor. Angu com couve. O angu do mano velho.
Não posso agora nem descascar umas batatas, mãe. Meu braço imóvel por estes dias corta minha onda. Mas não meu apetite e minha inevitável diária saudade.
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