segunda-feira, 13 de maio de 2013

Lembrei-me agora da primeira refeição que preparei na vida, minha mãe precisava naquele dia complicado e grave de que alguém cozinhasse para a família. O resulltado foi igual a crus, secos, salgados e reclamações. Mas não desisti, não me queimei e lavei a louça. Então em alguma prova eu passei. Daí em diante aprendi a cozinhar melhor e juntei receitas. Mudei receitas, estraguei receitas. Cozinhar é uma das coisas que mais gosto de fazer, sinto em cada sova, meXida ou pitada, a presença da minha mãe muito viva. As comidas da minha casa eram carregadas de emoção. Havia uma muito boa de quando meu irmão já na esquina lá de casa gritava, mamãe bota meumoço, ela dava uma gargalhada deliciosa, outra mais recente é ela sendo alcunhada de faca cega, injustiça. Ela passou a adotar uma vida mais regrada, parcimoniosa, menos sal, menos gordura, muito vegetal. Certos paladares infantis reclamavam. E uma emoção mineira que ela sempre cultivou, angu. Hoje eu comi angu com aquele amor. Angu com couve. O angu do mano velho. Não posso agora nem descascar umas batatas, mãe. Meu braço imóvel por estes dias corta minha onda. Mas não meu apetite e minha inevitável diária saudade.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Para sempre guardar os rabiscos da minha memória Em: Imagens sons gestos rascunhos palavras minhas, humildes e inocentes e de quem admiro. Acho o máximo Hoje Um grito Amanhã, quem sabe?

"Os Sofrimentos do Jovem Werther"

"Os homens sofreriam menos se não se concentrassem tanto na lembrança dos seus males, em vez de esforçar-se por tornar o presente suportável"

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O tempo

Tenho certeza de que sou insegura, medrosa, traumatizada e idiota. Tenho certeza de que não é só comigo que o tempo é uma das coisas mais importantes. O tempo quando estava com 8 anos e um pouco mais: Tenho um pouco das lembranças de um pouquinho de matemática. A tabuada, até a de 9 foi muito fácil. Daí a minha mãe, ela é a parte maior, meu início e transformação, o átomo, o meu significado. Tenho saudade dos meninos, meus irmãos, tentamos ficar mais juntos. Meu irmão mais novo é o meu parceiro. Comecei sem noção a reparar no tempo . É certo que tive momentos de inteira despreocupação. Muitos. A minha vida passou a ter sentido, ao notar que uma outra história de eu menina também começava com atenção à minha mãe e ao meu pai. Eles discutiam muito, eu acordava com a voz dele, tão cruel, e um choro baixinho. E ela fazia de tudo: ignorava traições, não era submissa, amava demais os filhos, sentia vergonha, cozinhava, era bem informada, inteligente, professora de matemática, mas se você precisasse de uma aulinha de outra matéria... Ela costurava, pintava e bordava, sem trocadilho e alguns. Mas, enquanto eu também chorava baixinho, mais por ela, e devagarzinho, depois a , buscava e a tirava daquele nó. Sabia, ela não queria que eu presenciasse tais coisas. Não adiantava. Eu ia atrás dela, não aguentava ouvi-la sofrer com uma valentia que a minha pouca idade entendia perfeitamente. Ela tomava satisfações, e relevava para nos proteger, Admirável até seus 83 anos e quase mais um aninho. Porque nosso o tempo é limitado e precisamente delimitado. Tenho a idade dela de quando eu era uma menininha. E o meu tempo inteiro que tive para ela, não foi suficiente para sua ausência agora.

Como era mesmo?

Acho que fiz coisas horríveis. Fofocas para mim, digo logo! Adoro certas coisas passadas As lembranças da juventude coisas ditas pela minha mãe vinhos aos sábados à noitinha inspirando madrugadas

Monólogo de Segismundo

Ai de mim! Ai pobre de mim! Que pergunto a Deus para entender. Que crime cometi contra Vós? Pois se nasci, entendo já o crime que cometi. Aí está motivo suficiente para Vossa justiça, Vosso rigor. Pois o crime maior do homem, é ter nascido! Para maiores cuidados, só queria saber que crimes cometi contra Vós, além do crime de nascer. Não nasceram outros também? Pois se outros nasceram, que privilégios tiveram que eu jamais gozei? Nasce uma ave, e é embelezada por seus ricos enfeites. Não passa de flor de plumas, ramalhete alado, quando veloz cortando os salões aéreos recusa piedade ao ninho que abandona em paz. E eu, tendo mais instinto, tenho menos liberdade? Nasce uma fera, Com uma pele respingada de belas manchas, que lembram estrelas. Logo, atrevida, feroz, a necessidade humana lhe ensina a crueldade! Monstro de seu labirinto! E eu, tendo mais alma, tenho menos liberdade? Nasce um peixe, aborto de ovas e lodo, enfeita um barco de escamas sobre as ondas. Ele gira, gira, por toda a parte, exibindo a imensa liberdade que lhe dá um coração frio! E eu, tendo mais escolha, tenho menos liberdade? Nasce um riacho, serpente prateada, que dentre flores surge de repente, de repente. Entre flores ele se esconde, e como músico celebra a piedade das flores que lhe dão um campo aberto á sua fuga! E eu, tendo mais vida, tenho menos liberdade? Assim, assim, chegando a esta paixão um vulcão, qual Etna, quisera arrancar do peito pedaços do coração! Que lei, justiça ou razão, pode recusar aos homens privilégios tão suaves e sensação tão única! Que Deus deu a um cristão, a um peixe, a uma fera, a uma ave?