quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O tempo

Tenho certeza de que sou insegura, medrosa, traumatizada e idiota. Tenho certeza de que não é só comigo que o tempo é uma das coisas mais importantes. O tempo quando estava com 8 anos e um pouco mais: Tenho um pouco das lembranças de um pouquinho de matemática. A tabuada, até a de 9 foi muito fácil. Daí a minha mãe, ela é a parte maior, meu início e transformação, o átomo, o meu significado. Tenho saudade dos meninos, meus irmãos, tentamos ficar mais juntos. Meu irmão mais novo é o meu parceiro. Comecei sem noção a reparar no tempo . É certo que tive momentos de inteira despreocupação. Muitos. A minha vida passou a ter sentido, ao notar que uma outra história de eu menina também começava com atenção à minha mãe e ao meu pai. Eles discutiam muito, eu acordava com a voz dele, tão cruel, e um choro baixinho. E ela fazia de tudo: ignorava traições, não era submissa, amava demais os filhos, sentia vergonha, cozinhava, era bem informada, inteligente, professora de matemática, mas se você precisasse de uma aulinha de outra matéria... Ela costurava, pintava e bordava, sem trocadilho e alguns. Mas, enquanto eu também chorava baixinho, mais por ela, e devagarzinho, depois a , buscava e a tirava daquele nó. Sabia, ela não queria que eu presenciasse tais coisas. Não adiantava. Eu ia atrás dela, não aguentava ouvi-la sofrer com uma valentia que a minha pouca idade entendia perfeitamente. Ela tomava satisfações, e relevava para nos proteger, Admirável até seus 83 anos e quase mais um aninho. Porque nosso o tempo é limitado e precisamente delimitado. Tenho a idade dela de quando eu era uma menininha. E o meu tempo inteiro que tive para ela, não foi suficiente para sua ausência agora.

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